Sunday, December 30, 2012

Comentário a um artigo de Vasco Pulido Valente

Sobre o artigo no "Público" de hoje: a crença de Vasco Pulido Valente na Inglaterra, essa grande praça de especuladores financeiros situada num país arruinado, enquanto potência alternativa à Alemanha é tão comovedora como a crença das crianças no Pai Natal! Por muito que pese ao eterno doutorando de Oxford, o nosso destino joga-se entre Berlim e um (possível?) eixo do Sul que seja capaz de se consolidar. A Inglaterra de hoje é a de Francis Drake, não a de Winston Churchill.

8 comments:

  1. O artigo de Vasco Pulido Valente merece mais reflexão do que um comentário breve entre dois assobios e uma baforada de charuto. É que indica as grandes tendências históricas da política externa portuguesa. E não é nada de desprezar a pista que ele abre.

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  2. sábios foram os que só meteram um pé dentro, e deixaram o outro de fora, quem são eles?

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  3. Não fumo charuto e nunca soube assobiar. Agora vamos a ver: supondo que os ingleses, contra os seus próprios interesses (isto é, os interesses da City de Londres), saem mesmo da UE, que interesse tem Portugal em ficar a gravitar à volta deles, numa mera zona de comércio livre? Escapa da União Europeia para onde? Para um espaço atlântico que já não existe, com os EUA a virarem-se predominantemente para o Pacífico, como se viu já com a história das Lajes? Para um espaço lusófono, que me parece, salvo o devido respeito, carecer de densidade? As grandes tendências históricas a que se refere são as classicamente definidas por Jorge Borges de Macedo: soltarmo-nos quanto possível da Europa, virarmo-nos para o Atlântico. O que eu digo é que já não há Atlântico para nós, nem o euro-norte-americano dos tempos felizes da Guerra Fria, nem os do grande espaço português, dos bons tempos do Império. A História deve-nos servir de lição, não de modelo de repetição. Caso contrário, transforma-se em farsa, como dizia um autor do século XIX, que não deve ser do seu agrado. Eu até compreendo que um eurocéptico se sinta confirmado e reconfortado intelectualmente pela confusão reinante na Europa.Mas isso não abre caminhos nem para o país nem para a razão.

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  4. De qualquer modo é bonito acharem a Inglaterra uma potência. Também eu gosto muito de ver "Downton Abbey"...

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  5. Não é evidente a sua asserção de que a saída do RU transformasse a UE em zona de comércio livre. Pelo contrário, talvez abrisse a porta a uma efectiva integração política da Europa, agora um livre de um verdadeiro cavalo de Tróia. A tendência actual mostra que Portugal está a entrar em força no Atlântico, também por via da lusofonia. A crise europeia não é nova, apenas se torna mais aguda pelo pulsar dos media. Não gosto do que Vasco Pulido Valente representa, mas gostei da sua crónica de hoje no Público.

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  6. Nao, o que VPV defende e que devemos sair da UE, como o RU deveria fazer, e integrar apenas uma zona de livre cambio. Ou li mal?

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  7. Queria dizer de livre comercio

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  8. Que o RU quisesse sair da UE seria uma boa notícia! Saía-nos a sorte grande e resolvia-se de vez a questão do "Alargamento". Criava-se um segundo cinturão à volta de uma UE, verdadeiramente integrada politicamente, que apenas teria como substrato comum o livre comércio. E nesse segundo anel caberiam Marrocos, Rússia e RU. Portugal tem de continuar na UE, mas com mais "drive" e melhor capacidade de absorção dos fundos estruturais. E já agora alinhando com as posições de vanguarda e não com os países de segunda linha. E já agora sem assinar de cruz manifestos vindos de ministros da Alemnanha e aliados, sem saber o que está a assinar.

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