Saturday, February 19, 2011

Aprender a ditadura

Já fomos bem ensinados durante 48 anos...

Géneros de ditadura

Já houve muitos, mas a criatividade da História não tem limites...

A democracia é boa para os árabes...

Joe Berardo diz que Portugal vive uma “democracia podre” e defende ser necessário “mudar o sistema político”, nem que seja com “um novo género de ditadura que todos temos de aprender”.

(PUBLICO)

Revoluções árabes e comentadores portugueses

Não deixa de ser curioso ver que os mesmos que apoiaram sem reservas a cruzada de George W. Bush pela Democracia no Mundo Árabe estejam agora assustados e prevendo o pior quando o mundo árabe sai para a rua a exigir democracia...

Friday, February 18, 2011

Aos portugueses que somos nós

"Oh, poder ser tu sendo eu.
Ter a tua alegre inconsciência
E a consciência disso."

(Fernando Pessoa, "A Ceifeira")

Friday, February 11, 2011

Tim Tim no Cairo



E depois das múmias? À suivre...

Monday, February 7, 2011

Madrid, 1981



Este livro de Javier Cercas procura entender algo que eu tenho bem vivo na minha memória, quando passámos uma noite intensa dentro da Embaixada em Madrid, em permanente contacto com Lisboa (o João Amaral, então no gabinete do MNE Gonçalves Pereira, sempre a falar do outro lado da linha do telefone, para não deixar cair a ligação - quando já nada havia a dizer, recitávamos Camões!), todos a aguardar ansiosamente o discurso do Rei.

Recordo-me de o chefe da conspiração militar, o enigmático general Armada, vir citar este poema de Campoamor, que aqui lembro:

"En este mundo traidor
nada es verdad ni mentira;
todo es según el color
del cristal con que se mira"

E nunca revelou o que sabia.

Sunday, February 6, 2011

"Harmonia Caelestis"

A interpretação teatral que David Marton, com o Burgtheater de Viena, fez do notável romance de Peter Esterházy "Harmonia Caelestis", a que assistimos hoje na Casa de Cultura de Bobigny, fez-me regressar à Europa Central, aos seus dilaceramentos e terrores e consequentemente à narrativa europeia. E fez-me pensar como afinal nós somos parte dessa narrativa.

Somos? Não estaremos mais próximos dos goeses, dos brasileiros, dos angolanos? Que nos liga a esta Europa, muitas feridas da qual não partilhamos?

Sou contra todas as narrativas identitárias que procuram fechar a Europa numa ilha cristã, numa cultura fechada, numa fortaleza insegura a erguer muros de areia contra o mundo - "un barrage contre le Pacifique", na imagem de Marguerite Duras. Mas sei que sou europeu. Sei que os dramas da Europa são os dramas da minha família e que, quer as tradições riquíssimas, quer a arrogância de poder dos chamados países emergentes não pertencem à minha história. Eu sei : o Ocidente não deixa de merecer o que lhe está a acontecer. Mas a História não é e nunca foi feita de justiça e a minha família é a Europa. Com todos os seus defeitos. Irremediavelmente.

Saturday, February 5, 2011

Coisas do Egipto

O que aconteceria no Largo do Carmo no dia 25 de Abril de 1974 se o Spínola concordasse que devia ser o Marcello Caetano a conduzir a transição para a democracia?

(Os espanhóis fizeram isso, sim, mas aí quem depois veio pôr os tanques na rua foram os fascistas...)

Neste caso toda a diferença está na posição do Exército, é claro!

Mas qual é a posição do Exército do Egipto? Já deu para perceber?

( O Obama já mudou de ideias sobre o Mubarak, de um dia para o outro; e a Sra. Ashton diz que o Egipto... é um "fait divers", que nos não deve distrair do PPMO!) .

Friday, February 4, 2011

Fim de tarde na Avenue Foch

Paris é o lugar de onde sempre se está irremediavelmente longe.

Tuesday, February 1, 2011

Poema do jet lag

Que as cinzentas madrugadas em que acordo,
comigo a viver ainda em tempo indiano,
me ofereçam o verso e a vida no seu bordo
e me possam trazer de volta o sonho humano.

Sunday, January 30, 2011

Visto da Avenue Foch

O Museu Egípcio do Cairo foi protegido do saque pelo Exército, mas antes disso "pela própria população", diz orgulhosamente um responsável do Museu.

Em 2003, em Bagdad, as tropas norte-americanas deixaram saquear à vontade o Museu...

Os faraós foram mais afortunados do que Babilónia.

Por outro lado, neste momento, o único a falar grosso ao Mubarak é o Obama (o que se está a negociar por detrás veremos um dia nos Wikileaks). Seja "lip service" ou não, tem significado e efeitos políticos. Já a declaração Cameron - Merkel - Sarkozy é algo descafeinada...

Entretanto, em Lahore, milhares de pessoas manifestam a favor da lei que proíbe a blasfémia...

Chegadas

A chegada a Budapeste, em 2003 : na casa meio vazia seguíamos apaixonadamente a preparação da guerra do Iraque e o "grande cisma do Ocidente" (o discurso de Villepin na ONU, lembram-se? e a "nova Europa" do Rumsfeld, recordam-se? e as manifestações por todas as capitais do mundo, não esqueceram?) que dividia a chamada "comunidade transatlântica". Seguíamos o mundo pela televisão dentro de uma casa ainda por ocupar, com uma família empolgada pela História que se estava a fazer.

A chegada a Paris, em 2011 : na casa meio vazia seguimos interessadamente a "revolução árabe", com o filho, que veio de Bruxelas ao fim de semana (e os outros filhos espalhados pelo mundo), entusiasmadamente contra os ditadores e nós os dois a pensar no fundo "em que é que isto irá dar?". A "comunidade transatlântica" perdeu o pio e só o Obama se faz ainda ouvir. Seguimos o mundo pela televisão dentro de uma casa ainda por ocupar, com o sentimento de que a História se está a fazer noutro lado...

Paris, vinte anos depois

Sunday, January 23, 2011

Thursday, January 20, 2011

Uma prioridade para a nossa diplomacia

A família continua a queixar-se da falta de apoio das autoridades portuguesas e norte-americanas, nomeadamente ao nível da informação, e prepara-se para avançar com uma iniciativa que visa arrecadar fundos para ajudar a pagar a defesa do jovem modelo. "Provavelmente no fim-de-semana, vamos anunciar a solução para conseguir algum apoio", refere o cunhado de Renato, que garante que a defesa do modelo "fica muito cara". Sem saber avançar um montante total, José Malta precisa que no consulado português os informaram de que só um tradutor custa cerca de 100 euros a hora.

(PUBLICO)

Não têm vergonha?

Friday, January 14, 2011

Aliança das Civilizações

No Paquistão, um governador que ousou defender uma cristã, acusada de "blasfémia", condenada à morte por um tribunal islâmico, foi assassinado. O assassino foi coberto de flores por manifestantes islâmicos, nenhum governante ousou ir ao funeral da vítima, que todos os clérigos muçulmanos se recusaram a abençoar, e centenas de advogados se ofereceram já para defender gratuitamente o assassino.

Em Portugal, a população de Cantanhede manifestou-se em defesa de um jovem modelo, que assassinou, com requintes de crueldade, o seu parceiro homossexual.

Aliança de Civilizações!

Thursday, January 13, 2011

Paul Krugman

Sou leitor do blog de Paul Krugman.

O que ele considera "fiasco" não é o resultado obtido pelos títulos portugueses no leilão da dívida : o que ele considera fiasco e caminho para o abismo é a estratégia recessiva que a Alemanha está a impôr à Europa.

Quem considera essa estratégia a certa (e é toda a opinião publicada) só pode considerar os resultados do leilão como um sucesso.

Mesmo que isso lhes custe muito...

Tuesday, January 11, 2011

Jornalismo adversativo

Português perdeu a votação entre os seleccionadores, empatou entre os jornalistas, mas foi o grande vencedor na gala em Zurique

(PUBLICO)

PUBLICO : campeão do jornalismo adversativo

Sunday, January 9, 2011

Vítor Alves

"O Captain, my Captain"

(Walt Whitman)

Mudança (2)

Esperando que no Ministério não leiam este blog, não deixo de confessar que a atenção com que seguia a questão da formação de um novo estado federado no Telengana, as dissensões no partido Trinamul ou o escândalo à volta da demissão do ministro Raja tem diminuído um pouco ultimamente. A minha leitura dos jornais desviou-se para outros temas políticos.

"A Katrina Kaif deixou o Salman Khan?" pergunto, ao pequeno almoço, face ao "Hindustan Times".

"Há que tempos!" responde a minha Mulher, sempre mais atenta ao real.

Para quem não saiba, estamos a falar de actores de Bollywood.

Tenho-me vindo a interessar, assim, por personalidades culturais como Bipasha Basu, Deepika Padnukone e, é claro, Freida Pinto.

Darei conta em breve das conclusões destes meus estudos comparativos.

Mudança

Nestes últimos dias na Índia, algumas coisas inesperadas estão a suceder na nossa vida quotidiana.

O reflexo normal de procurar um livro para uma referência ou citação depara com a parede vazia, estando os livros já dentro dos caixotes, à espera do contentor. Nem sempre a internet supre a falta (tinha razão um amigo com quem discuti há tempos as vantagens do Google sobre a busca directa nos livros). Reduz-se a vida intelectual aos poucos livros que apressadamente se guardaram para estes tempos de indigência.

Isso leva a lê-los com maior cuidado e vagar, porque a escassez aguça a atenção. Finalmente leio o excelente "Os Despojos da Aliança" de Pedro Aires de Oliveira, o magnífico "Salazar" de Filipe Ribeiro de Menezes e treino a minha futura actividade diplomática num útil livro que os meus filhos me ofereceram no Natal: "Manifester à Paris".

O frio em Deli (12º de máxima, 4º de mínima) excedeu já o de Genebra e de Paris, tendo nós aqui o mesmo modelo de aquecimento que reinava nos invernos portugueses de há uns anos atrás : casas geladas, abertas aos quatro ventos "para arejar", com uns pobres aquecedores eléctricos de dimensões mínimas espalhados pelo espaço máximo. Fechamo-nos em dois quartos mais pequenos (o "bunker 1" e o "bunker 2") e abandonamos aos ventos as salas maiores.

Resta-nos, para as poucas noites em que não temos jantares de despedida, o nosso amigo Dr. House...

Wednesday, January 5, 2011

De Séneca

Nada é tão lamentável e nocivo como antecipar desgraças.
Séneca

Saturday, January 1, 2011

Um poema de Sophia para o primeiro dia do ano

NESTES ÚLTIMOS TEMPOS

Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças

Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?

Que diremos do lixo do seu luxo – de seu
Viscoso gozo da nata da vida – que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?

Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?

Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?

Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto

Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?

Julho de 1976

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN