Wednesday, July 29, 2009
Os Argonautas
esgravatando à roda do mundo,
atarantados, sem rumo:
só e apenas isso,
agora e em todos os tempos.
Friday, July 24, 2009
Coisas da Índia
É curioso, por exemplo, ver como a filosofia indiana era respeitada e estudada no século XIX (Schopenhauer, Nietzsche, Emerson, Haeckel, com a notória excepção de Hegel, que todavia só a mandou para o caixote do lixo depois de a estudar a sério) e no século XX passa para o domínio dos esotéricos (Steiner, Kassner, muito por influência da Sociedade de Teosofia da Sra Blavatsky) e finalmente para o dos charlatães (Guru Mahareshi, Shri Ravi Shankar, etc.).
Os nacionalistas (de direita Hindutva ou de esquerda "subaltern studies") não ajudam, porque desclassificam todo o trabalho de diálogo intelectual Ocidente - Oriente feito por ambos os lados (de William Jones a Radakrishnan, passando por Tagore), amaldiçoado como "orientalista" pelas vestais de Edward Said... É que para o Outro ser Outro não pode haver valores partilhados...
Outro dia, numa conferência do embaixador de França, um velho diplomata indiano reformado levantou-se para dizer que só os franceses tinham estudado a sério a Índia, que os ingleses apenas a tinham explorado: a nossa profissão de engraxadores ambulantes leva-nos a fazer cada uma! Se alguém estudou a sério a Índia foram os ingleses e os alemães!
Claro que também houve ingleses que desprezaram profundamente a Índia, a começar em James Mill e a acabar em Winston Churchill! Mas que a estudaram, traduziram e (na maioria dos estudiosos) admiraram, é inegável.
A propósito, não percam este artigo do Granta:
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Thursday, July 23, 2009
A terceira monção
| Passage to more than India! | |
| O secret of the earth and sky! | 235 |
| Of you, O waters of the sea! O winding creeks and rivers! | |
| Of you, O woods and fields! Of you, strong mountains of my land! | |
| Of you, O prairies! Of you, gray rocks! | |
| O morning red! O clouds! O rain and snows! | |
| O day and night, passage to you! | 240 |
| O sun and moon, and all you stars! Sirius and Jupiter! | |
| Passage to you! | |
| Passage—immediate passage! the blood burns in my veins! | |
| Away, O soul! hoist instantly the anchor! | |
| Cut the hawsers—haul out—shake out every sail! | 245 |
| Have we not stood here like trees in the ground long enough? | |
| Have we not grovell’d here long enough, eating and drinking like mere brutes? | |
| Have we not darken’d and dazed ourselves with books long enough? | |
| Sail forth! steer for the deep waters only! | |
| Reckless, O soul, exploring, I with thee, and thou with me; | 250 |
| For we are bound where mariner has not yet dared to go, | |
| And we will risk the ship, ourselves and all. | |
| O my brave soul! | |
| O farther, farther sail! | |
| O daring joy, but safe! Are they not all the seas of God? | 255 |
| O farther, farther, farther sail! |
Sunday, July 19, 2009
Os eunucos na Índia e o combate à evasão fiscal
"The Nitish Kumar government (Bihar) has decided to launch a scheme to rehabilitate eunuchs by providing them vocational training so that they can earn out a living (...)
In 2006 the Patna (capital do Bihar) Municipal Corporation had hired eunuchs to collect property tax in the state capital(...)
Dancing to drum beats the eunuchs would land up on the doorsteps of habitual tax evaders, telling them to deposit taxes on time to save their property from being auctioned(...)
O embaixador da Índia no Brasil fala da novela "Caminhos da Índia"
As the soap Caminhos comes into Brazilian homes night after night, curiosity and affection for India seems to be growing. We know this by the number and kind of queries that we are getting in our embassy and the questions that we answer these days: what the bindi signifies; whether Dalits are still untouched in India; if grown- up Indian men and women do in fact dance to tunes all the time at home, and many other similar bits of oddities that are seen in the novella. We do the best we can with humour and imagination. Not every one wants a long lecture or a serious discourse.
We have also seen the market grow for sarees, kurtas, incense and other exotica. We have demands for authentic Indian restaurants in Brazilian cities like Rio and Brasilia. The availability of Indian cuisine is now limited only to the meagacity of Sao Paulo.
A frequent question that I am often asked is: is the novella authentic? Does it show the real India? I honestly don’t know how to answer this. First, a novella is a novella, after all, and not a documentary. By its very nature, it exaggerates, glamourises and selects what is exotic and unusual rather than the ordinary and the commonplace.
Brazilian viewers understand this. Second, what is ‘the real’ in a country with such diversity, complexity and contradictions? I end up telling my Brazilian friends that everything the novella shows is true in some part, somewhere, but its opposite is equally true.
BS Prakash is the Indian Ambassador to Brazil
Fonte . "Hindustan Times" de 19/7/2009
Saturday, July 18, 2009
Leituras indianas: a crítica do secularismo
Será tarde?
Sunday, July 12, 2009
A terceira monção
Pour le 14 Juillet...
Thursday, July 9, 2009
A terceira monção
Agora o que pesa não é a melancolia,
nem o cinzento a cobrir as árvores altas:
chamem-lhe monção, este peso que vem todo para dentro de nós
e nos vem dizer que somos só passado,
numa época que não conhece mais passados!
Monday, July 6, 2009
Camões na Índia
O mundo que o português criou
foi tão mau ou tão bom como o mundo
que o resto da Humanidade foi criando.
Sonharmo-nos Império?
Mas todos os grandes o fizeram:
o Camões, o Vieira, o Pessoa,
até o Cesário, de um certo modo,
nas nossas ruas ao anoitecer...
Só o Pessanha viu certo o que finalmente fica de nós:
pedras, conchinhas, pedacinhos de ossos...
Sunday, July 5, 2009
Do Mahabharata
Friday, July 3, 2009
Camões na Índia
Thursday, July 2, 2009
Uma conversa sobre Camões
Wednesday, July 1, 2009
O gabinete
As escadas têm degraus
No salão de baile, a biblioteca
Tuesday, June 30, 2009
Monday, June 22, 2009
Quem, se eu gritar...?
Sunday, June 21, 2009
Secularismo
Saturday, June 20, 2009
Friday, June 19, 2009
"O medo da morte é a fonte da arte"(Ruy Belo)
Thursday, June 18, 2009
A terceira monção (sem licença do autor citado...)
17.06.2009, Paulo Varela Gomes
Publicado no jornal "Público" e dali copiado sem autorização...
Dizia-se que os europeus na Índia duravam duas monções, frase que serve de título a um livro de Theon Wilkinson publicado em 1987. O autor conta muitas histórias acerca da descontracção com que era encarada a morte: refere, por exemplo, aquilo que escreveu Lady West em 1823: "Aqui as pessoas morrem num dia, são enterradas no seguinte, vendem-lhes os móveis no terceiro dia e já estão esquecidos no quarto." Desde o século XV até à divulgação do ar condicionado, os europeus vivem em regiões tropicais obcecados com a doença. E com razão. A gente passa aqui um tempo e começa a ficar como que gasto, uma fadiga que não tem nada que ver com a actividade, vem do ar, vem do tempo.
Nas planícies do Norte da Índia, terrivelmente quentes durante quatro a cinco meses por ano, os ingleses levantavam-se muito antes do nascer do sol, já estavam abrigados pelas dez da manhã e passavam boa parte do dia imóveis, debaixo dos punkah, os grandes leques movidos por criados.
Mas nas zonas tropicais não há meses de alívio. Em Goa, por exemplo, as manhãs e noites de entre Novembro e Fevereiro são simpáticas. A meio do dia, porém, a temperatura sobe e, com a humidade sempre muito alta, desgasta corpos e humores. Nos meses quentes ou muito chuvosos, anda-se, sem se saber bem porquê, de espírito apagado. Os funcionários europeus queixavam-se de não poderem partir para perto do mar como fazia toda a gente em Abril e Maio. Adivinhamo-los prostrados sobre as secretárias, arrastando sonolências e despachos, e isto quando não estavam doentes, o fígado gasto, ataques de malária, um mal-estar de todos os dias, aliviado apenas na frescura da madrugada ou das chuvas, a partir de Junho.
Os ingleses, que nunca hesitam quando se trata de procurar resolver um problema impossível mesmo que à custa da criação de muitos outros problemas ainda maiores, tentaram erradicar as epidemias na Índia. A National Library of Scotland tem em linha uma portentosa base de dados contendo a cartografia britânica da cólera, peste, lepra, malária, e dos meios postos em acção para combater estas doenças.
O progresso dos meios de combate a doenças foi o primeiro passo de uma higienização não só das condições de vida, mas também da percepção da vida nas regiões tropicais que acabou por criar a ilusão de que os europeus podem habitar e trabalhar nos trópicos como se nada fosse. Pouco a pouco, as doenças começaram a ser relegadas para as "margens" da sociedade. A classe média e alta, de brancos e de não brancos cheios de remédios, servidos por centros de saúde, melhor alimentados, protegidos por ventoinhas e depois pelo ar condicionado, começou a sobreviver bem a duas, três, quatro e muitas, muitas monções. A doença, o desgaste que o clima impõe aos europeus começaram a ser considerados incómodos menores que edifícios climatizados tornam suportáveis.
O homem conquistou o clima. Se eu não andasse quase sempre cansado, acreditaria nisso. Faz-me falta ar condicionado e confiança no progresso.
